1 Mero Desplugado #2 – Os dois lados da mesma moeda

            O pensamento liberal trabalha em um sistema dialético de esquerda e direita que era referido por Enéas como “os dois lados da mesma moeda”.

            Nesse roteiro eu vou explicar a minha interpretação de o porquê eu acredito que Enéas pensava desse modo.

            O Enéas nunca escreveu nenhum livro de filosofia política, contudo em seus livros de política prática e em suas diversas palestras ele jogava muitas informações sobre o que ele pensava e, essas informações nos permitem por indução chegar mais ou menos ao que ele quer dizer sobre isso.

            É importante que eu não sou o dono da verdade e o interpretador oficial do pensamento do Enéas, eu sou só um mero filósofo tentando entender o pensamento dele.

            Afinal, o que é essa moeda? E o que são esses dois lados?

            A moeda é o sistema liberal e os lados são as correntes morais do liberalismo.

            Mas como pode a esquerda e a direita serem a mesma coisa? Como assim os dois lados da mesma moeda.           

            Como é possível que tanto  Lula quanto  Bolsonaro sejam os dois lados da mesma moeda? Como pessoas tão diferentes representam a mesma coisa? Estaria Enéas errado?

            Não. Ele não estava. O pensamento do Enéas é um pensamento muito bem articulado que, em minha opinião, não abre muito espaço para paradoxos.

            Então, quando ele diz que esquerda e direita são os dois lados da mesma moeda, ele realmente quer dizer isso.

            A grande verdade é que tanto Lula quanto Bolsonaro possuem uma coisa em comum que os aproxima muito: ambos defendem o liberalismo.

            “Ainnn, o Lula não é liberal.”

            “Aiinnn, o Bolsonaro não é liberal.”

            Tanto Bolsonaro quanto Lula são liberais. Ou seja, eles fazem parte da mesma coisa, do liberalismo que, na metáfora do Enéas, é a moeda.

            Não há grandes diferenças na pauta econômica do Lula com relação do Bolsonaro nem do Bolsonaro com relação ao Lula. Os dois em termos práticos defendem a mesma coisa: um mundo liberal onde grandes corporações privadas exercem o poder e controlam a vida dos brasileiros.

            Contudo, eles estão em lados opostos da moeda e, a diferença fundamental dos dois se revela na questão moral.

            No caso do Lula, o petista possui uma pauta moral mais progressita. Defende pautas coloridas, boa tarde a todos, todas e todes meus querides amigues, etc. Uma patua que é uma merda que ninguém aguenta mais.

            Já o Bolsonaro possui uma pauta moral conservadora, contra o kit gay, contra doutrinação ideológica etc. Eu lembro que em 2018 eu não aguentava mais ver ele enfiando o dedo dentro daquela porra daquele livro lá das crianças.

            Eu ficava vendo aquilo e pensando “Deu já Bolsonaro, vai arrombar tudo a criança com esse dedo. Pare homem.

            PC Siqueira deve até ter gostado. Mas voltando ao assunto, só o que muda neles é a pauta moral, a pauta econômica é a mesma.

            Em ambos os casos ouvinte, não importa quem você votar, o que importa é que um liberal será eleito. É por isso que, no Brasil a esquerda e a direita são os dois lados da mesma moeda.

            As vezes me perguntam quem eu acho que vai ganhar em 2022. Eu não sei a pessoa, mas sei que será um liberal.

            Em 2022, será eleito um liberal no Brasil, assim como foi sempre desde a constituição de 1988. Nunca houve desde 1988 um presidente que não tenha sido pró liberalismo e, até a constituição ser refeita, nunca haverá.

            Por isso que, esquerda e direita são os dois lados da mesma moeda. Por mais que você tenha a liberdade democrática para escolher entre o Lula ou o Bolsonaro a sua liberdade não é uma liberdade de fato.

            Ela não é de fato porque o sistema feito pela constituição de 1988 existe para que sua escolha pelo não liberalismo econômico seja uma escolha impossível. Não importa em quem você vote, um liberal será eleito.

            Ainda na metáfora do Enéas, você é livre para escolher o lado, mas não é livre para escolher outra moeda para jogar. Você está jogando com a moeda que te foi dada e que tu foi obrigado a usar.

            Você não pode escolher outra moeda. E, por não poder escolher outra, sempre o resultado será o mesmo: liberalismo econômico.

            Ao entender que o pensamento de esquerda e direita fazem parte da mesma moeda, ou seja, que são dois lados dialéticos do pensamento liberal, muita coisa também pode ser entendida. Coisas que acontecem com o brasileiro.

              A briga entre esquerda e direita faz parte do processo todo. É comum vermos na internet pessoas de um lado brigando com o outro e vice versa. Essas brigas possuiem vários objetivos e, entre eles existe um muito importante.

            Para que você se distraia e não veja que existe um elefante na sua sala.

            Adriano Benayon, um economista teórico do nacionalismo contemporâneo via isso com um grau de clareza muito grande: tanto a esquerda quanto a direita existem do modo que existem porque são ferramentas interessantes nas mãos daqueles que querem nos dominar.

            Enquanto o brasileiro estiver um brigando com o outro por causa de esquerda e direita o povo brasileiro continuará enfraquecido, vulnerável e sucetível a ser explorado por potências colonizadoras alienígenas.

            Como bem dizia Bautista Vidal, outro teórico do nacionalismo contemporâneo, o processo de dominação brasileiro, que tem como objetivo final conseguir recursos naturais e alimentares a baixo custo, é um processo que não é só econômico, mas sim também um processo informacional, cultural e mental.

            É mais fácil de dominar um povo dividido do que dominar um povo unido, bem como dizia Caio Júlio César, um político romano, divide et impera. A divisão do povo brasileiro, estimulada no ínicio dos anos de 2010, por mega corporações liberais de tecnologia, faz parte do processo.

            Elas, as detentoras do controle da infosfera brasileira, estimulam diariamente através do controle dos algoritmos que nós brasileiros briguemos uns com os outros. O objetivo é gerar o caos político no país para que, assim, fique mais fácil de sermos dominados.

            Veja o que aconteceu pós 2013. Em que a sua vida e a vida dos seus conhecidos melhorou de lada para cá? O caos institucionalizado fez com que passássemos quase uma década parados no tempo enquanto que, outros países se desenvolveram. Por causa da armadilha da moeda liberal, paramos no tempo.

            Aqui, talvez deva eu dizer um pouco minha opinião de filósofo nacionalista brasileiro sobre o liberalismo. Eu não tenho nada contra o pensamento liberal ou a democracia contanto que ela seja algo benéfico aos brasileiros.

            Isso meio que vale para todas as ideologias e formas de governo, contanto que funcione e seja bom ao brasileiro, para mim está bom. Na minha opinião, a ideologia deve servir ao povo e não o povo deve servir a ideologia.

            O que eu quero dizer é que, se o liberalismo econômico fosse algo bom ao Brasil, provavelmente eu seria a favor do liberalismo porque o bem do Brasil deve ser sempre o critério de todo aquele brasileiro que se diz nacionalista.

            Infelizmente, nos últimos anos, eu vejo que o pensamento liberal tem se tornado um problema e uma trava muito grande ao progresso nacional. Disso não quer dizer que eu seja alguém contra a democracia. Se você entendeu isso na minha fala você é um infradotado de merda que provavelmente escuta Francisco El Hombre final de semana tomando Itaipava quente com os amiguinhos. Pare com essa merda, volte para o seu quarto e vá ouvir Molchat Doma.

            O que eu estou querendo dizer é que para a democracia ser algo bom ela precisa ser um motor incentivador do progresso nacional e não uma âncora que nos impede de seguir em frente como país.

            A democracia brasileira precisa urgentemente mudar, se aprimorar e servir ao progresso do Brasil. Caso isso não aconteça, infelizmente, ela estará com seus dias contados. Isso porque, a situação brasileira irá continuar piorando até que vai chegar um ponto no qual as pessoas não verão mais valor no liberalismo e, daí em diante, é só um pulinho até aparecer alguém para derrubar o sistema.

            E sobre a queda da democracia no Brasil, não vai ser com Bolsonaro. O Bolsonaro, entenda bem isso, não é contra o sistema ele é uma face do sistema, um lado da moeda. O Bolsonaro é útil ao liberalismo e, enquanto ele for útil, ele vai continuar governando.

            Tem gente que diz por aí que ele vai dar um golpe, eu acho isso uma bobagem. A grande verdade é que o Bolsonaro é a pessoa que os liberais queriam colocar no poder e, por isso que ele está lá.

            O Bolsonaro não é anti sistema, ele É o sistema. O que te faz pensar que ele é anti sistema é porque você não se deu conta que só o que aconteceu foi a moeda ter mudado de lado. A moeda continua a mesma.

            As bases do sistema, o pensamento liberal, continua sem serem questionadas no Brasil tanto por ele quanto por seus seguidores. E, isso é especialmente grave porque tanto o Bolsonaro quanto seus seguidores se dizem cristãos.

            Tanto o liberalismo quanto o comunismo, qualquer pessoa com mais de dois neurônios sabe, são sistemas anti-Deus mas tanto o Bolsonaro quanto seus seguidores, só apontam e só veem o diabo no lado comunista.

            Não há dúvidas que o Diabo existe do lado comunista mas também, o Diabo não existe só do lado de lá, ele existe também do lado de cá, no mundo liberal. Mas enfim, esse é assunto para outro vídeo.

            Voltando à minha opinião pessoal. Filosoficamente falando, eu não pre proponho aqui a ser antiliberal como Aleksandr Dugin, só o que eu tenho me proposto a fazer nesse canal é levantar questionamentos para que o brasileiro veja o liberalismo de um modo crítico, assim como o brasileiro vê o comunismo.

            As pessoas no Brasil atual creem, ao meu ver corretamente, que o comunismo é ruim. Ok, eu também acho. Contudo, o brasileiro atual ainda está afundado na esperança que o liberalismo é a solução do Brasil e que através dele chegaremos ao progresso.

            Na minha opinião, e não só na minha, o Enéas também pensava assim, o liberalismo é, assim como o comunismo, uma forma de dominação. São modos de dominações diferentes, mas, de qualquer modo, você será controlado. Seja por políticos no caso do comunismo ou seja por grandes corporações privadas no liberalismo.

            Os dois lados da mesma moeda é isso, mais uma forma de dominação. É te dado a ilusão de uma escolha, a ilusão de que você participa do processo decisório mas, a verdade, é que o teu voto não importa muito. A cada quatro anos, um liberal será eleito no Brasil. Você não pode escolher outra moeda, só o que te sobra, é escolher o lado.

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